Meditação de 01 de Setembro de 2017
Rev. Josemar da Silva Alves Bonho

O amor que nos ensina a amar

Certa vez, numa conversa com seus discípulos, Jesus disse: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos” (João 14.15). Aqueles que já são pais ou mães e vivem o desafio de educar filhos compreendem a complexidade dessa afirmação. É uma bênção ter filhos que ouvem os ensinamentos dos pais, que dão ouvidos às suas correções e que amam os pais. Mas esta é uma relação que se deve muito mais a uma atitude dos pais em relação aos filhos.


Ao estudar as consequências que comportamentos dos pais provocam no desenvolvimento de uma criança, uma psicóloga definiu, na década de 70, três estilos de comportamento dos pais na educação dos filhos: o autoritário, o permissivo e o autoritativo.


Num extremo está o estilo autoritário, caracterizado por pais com pouco envolvimento afetivo com os filhos, que prezam a obediência absoluta, estabelecem regras rígidas e punem os filhos quando estas são infringidas. No outro extremo está o estilo permissivo, onde pais funcionam como meios de satisfação dos desejos das crianças, não impondo regras e punições, sendo pouco exigentes e muito afetuosos. O caminho do meio é o estilo autoritativo, onde há um equilíbrio, uma mescla das melhores características dos estilos autoritário e permissivo. Pais autoritativos tem um envolvimento emocional com os filhos sem cair nos extremos da permissividade ou do autoritarismo – as regras são temperadas com afeto.


Assim como o desenvolvimento social e afetivo de uma criança está fortemente condicionado pela educação que recebe dos pais, assim também, a nossa relação de filhos que amam e guardam os mandamentos de Deus tem mais a ver com a ação de Deus Pai, Filho e Espírito Santo em nós, do que com nossa vontade e disposição de obedecer. Até porque é da natureza humana obedecer com relutância e desamor, tornando-se hostil a Deus.


Mas nosso Pai tem um jeito todo especial de nos ensinar. Ele não se encaixa no estilo permissivo, porque ele não nos deixa sozinhos, abandonados à própria sorte. Ele se encarnou em nossa realidade. Assim como Jesus é Deus conosco (Emanuel), o Espírito Santo é o consolo de Deus sempre conosco. Ao enviar o Consolador, Deus quis estar sempre conosco e, por isso não nos deixa órfãos. Deus também não faz o estilo autoritário. Ele não é do tipo que diz não para tudo. Por isso, pessoas que levam uma vida cristã pautada por regras morais do tipo “isso pode e aquilo não pode”, têm uma percepção errada de nosso Senhor. E Deus tampouco utiliza medidas punitivas com o objetivo de obter nosso amor e obediência.


Deus não vai por nenhum extremo, mas pelo caminho do meio, quando quer nos ensinar a amá-lo e a guardar seus mandamentos. Ele move nossos corações através do Espírito Santo, de forma que não nos obriga a nada, mas nos ajuda a realizarmos o que ele espera de nós. Deus é um Pai amoroso que, além de assumir a nossa culpa, sofre na cruz as consequências do nosso pecado, para nos dar uma dignidade de filho bom e amado.


Os filhos aprendem o amor, o afeto e o carinho quando vivem em um lar amoroso e veem como isso acontece. Elas observam o papai dizendo palavras doces para a mamãe, e vice-versa. Elas aprendem o amor desde os primeiros dias de vida quando são afagadas, aconchegada ao peito da mãe e ao colo do pai. Na verdade, esse amor já acontece na barriga da mãe. Assim acontece conosco. Com o amor da cruz, Deus nos ensina a amá-lo, a amar a nós mesmos, nosso próximo e até nossos inimigos! Ele nos ensina, dando exemplo de como amar. Foi ele que primeiro nos amou e perdoou ricamente, nos ensinando a amar, perdoar e conviver alegremente com as pessoas que Deus colocou em nossa vida.