Meditação de 30 de Setembro de 2017
Rev. Josemar da Silva Alves Bonho

A generosidade divina


Certa fez Jesus contou aos seus discípulos a parábola dos Trabalhadores da Vinha. Ela está registrada no evangelho de Mateus 20.1-16. Resumidamente, Jesus conta que o dono de uma plantação de videiras saiu de manhã para contratar trabalhadores e combinou pagar-lhes um denário ao final do dia de trabalho. Depois ele contratou mais trabalhadores às nove horas da manhã, ao meio-dia, às três da tarde e às cinco da tarde. Na final do expediente, começou a pagar os que chegaram por último, pagando para estes que trabalharam uma hora, o mesmo que havia combinado com aqueles que trabalharam o dia inteiro.


Esses trabalhadores acusaram o empregador de ser injusto por pagar a mesma quantia para quem trabalhou menos. O argumento do empregador é que ele pagou a eles o que haviam combinado e que ele pode pagar aos outros o que ele quer pagar porque é o dinheiro dele. Ou seja, na verdade, ele apenas quis ser generoso com aqueles que começaram a trabalhar mais tarde.


Mas porque que essa generosidade e bondade causaram mal-estar nos trabalhadores da primeira hora? O descontentamento foi causado porque eles fizeram comparações entre eles e os outros, e agora estavam mais preocupados com o salário que foi pago aos outros trabalhadores do que com o acerto inicial que eles combinaram com seu empregador. Agora, o olhar deles se tornou ganancioso e o combinado já não é o suficiente. Até o momento em que eles estavam de olho no dono da vinha tudo estava numa boa, mas na hora que eles começaram a prestar a atenção nos outros, a coisa ficou complicada.


A nossa natureza humana é tão corrompida e egoísta a ponto de não achar justo o que acontece de bom na vida do próximo. Parece que é esta lição que Jesus queria ensinar para os seus discípulos, além de mostrar que Deus é tão generoso como aquele dono da vinha. Quando olhamos para o que os outros tem que eu não tenho, o que os outros ganharam que eu não ganhei ou quando reclamamos porque Deus fez isso para o outro e não fez para mim, então começam os problemas. Nosso olhar não é mais de gratidão. Nosso olhar se torna pecaminoso, infeliz, invejoso, ganancioso....


Enquanto olhamos para Deus, que na sua infinita graça, dá o que ele quer a cada um, está tudo bem. Mas quando eu desvio meus olhos da graça divina e começo a fazer comparações com os outros, posso ficar insatisfeito com o que sou e tenho. É o que aconteceu com os trabalhadores da vinha que reclamaram.


Uma das melhores maneiras de combater esse problema é impedir que nosso olhar não busque outra coisa em nosso próximo senão a oportunidade de apenas ajuda-lo e querer o seu bem. Quando tiramos o foco da vida alheia para focar na misericórdia de Deus, então teremos condição de ver o próximo como ele realmente é, da maneira como Deus o colocou na nossa frente, para que eu possa servi-lo. Só então iremos enxergar e reconhecer no próximo a riqueza da graça e bondade de Deus e a vida dele se tornará motivo de alegria para mim.


Alegremo-nos, pois o Senhor graciosamente nos chamou para a vida no seu reino aqui e na eternidade. E se já alcançamos a graça divina, vibremos também de alegria quando outras pessoas se juntarem a nós na nobre missão de construtores do Reino. Vamos ficar felizes com as outras pessoas se elas receberem de Deus o mesmo que nós. Independente do que cada um faz ou merece, Deus quer dar a todos o mesmo pagamento: o denário do amor e da graça de Deus.