Meditação de 22 de Novembro de 2017
Pastor Josemar S. A. Bonho

Dia de Ação de Graças

É costume antigo agradecer a Deus pelos frutos da terra. Este era o sentido original da festa de Pentecostes no Antigo Testamento (Êxodo 23.14-17; 34.18-23). O Dia de Ação de Graças, celebrado na 4ª quinta-feira de novembro é uma tradição mais recente que teve início no ano de 1621 quando os colonos da América do Norte tiveram uma boa colheita depois de passarem privações e necessidades no ano anterior. Render ação de graças tornou-se um costume muito popular nos Estados Unidos e também no Brasil.
Tudo o que necessitamos para o sustento da vida vem da terra e da graciosa providência divina. É por isso que Jesus ensinou a orar: “O pão nosso de cada dia nos dá hoje”. Teólogos do século 16 explicaram que quando pedimos o pão de cada dia na Oração do Pai-Nosso, estamos pedindo “de um modo geral, tudo o que dentre a s coisas deste mundo é útil para o cuidado de nossa existência; não só o alimento e o vestido, se não tudo o que Deus sabe que necessitamos para que possamos comer nosso pão em paz” (João Calvino), ou seja, “tudo o que pertence ao sustento e às necessidades da vida, como por exemplo: comida, bebida, roupas, calçado, casa, lar, terra, gado, dinheiro, bens, conjugue fiel, filhos piedosos, empregados fiéis, superiores piedosos e fiéis, bom governo, bom tempo, paz, saúde, disciplina, honra, leais amigos, bons vizinhos e coisas semelhantes” (Lutero).
Certamente temos recebido muitas dessas coisas boas em atendimento à nossa petição pelo pão de cada dia. Mas as bênçãos parecem sempre vir junto com um cálice amargo de sofrimento que também tivemos que beber, quando enfrentamos dificuldade econômica, quando a saúde não vai bem, quando temos problemas na família e no trabalho ou quando a morte nos toma um ente querido. Dá pra ser agradecido assim? Há razões para render ações de graças?
Na verdade, há razões para sermos eternamente gratos, pois quando pedimos “o pão nosso de cada dia”, não estamos apenas pedindo ao Pai celestial o que necessitamos para o bem-estar corporal. Em primeiro lugar, estamos pedindo Jesus Cristo. Ele é o pão, a Palavra e o alimento, como o nosso próprio Senhor declara no evangelho de João: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre” (João 6.51). Sempre haverá motivos para agradecer, pois “nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca do Senhor” (Deuteronômio 8.3)

ORAÇÃO:

Senhor Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Es o todo-poderoso Deus dos céus e da terra. Em ti vivemos, nos movemos e existimos. Quiseste que o ser humano tivesse seu sustento dos frutos da terra, razão pela qual, no princípio do mundo, deste fertilidade ao solo com tua palavra onipotente e prometeste, após o dilúvio que, enquanto a terra durar, sementeira e ceifa não cessarão. Eis que essa determinação ainda perdura. Fazes a erva crescer para os animais, e as plantas para o serviço das pessoas. Assim, tiras o pão da terra e enches os nossos corações de mantimento e alegria.
Deus amoroso, fizeste todas as coisas com tamanha sabedoria. Como é grande a tua misericórdia para conosco! Como é ilimitada tua onipotência: do pouco tiras muito e fazes produzir fruto da semente que apodrece no solo. Foram tua insondável sabedoria e tua indizível bondade, misericórdia e onipotência que visitaram nossas terras este ano. As pessoas semearam o grão com esperança, e tu abençoaste a semeadura no campo, permitindo que chegássemos à época em que se faz a colheita.
Senhor Deus, tudo quanto colhemos é teu. Não somos capazes de, por nós mesmos, tirar da terra seja o que for. Pode ser muito ou pouco o que colhemos, mas sempre é mais do que merecemos. Graças sejam rendidas ao teu santo nome por tudo quanto, neste ano, nos concedeste em nossa lavoura. Só tu és o Deus que, desde o ventre materno, nos mantém com vida e nos faz todo bem. A ti sejam rendidos o louvor, a honra e a glória, agora e na eternidade. Amém.