Meditação de 26 de Setembro de 2018
IER Itararé

A Cruz Huguenote
A cruz huguenote foi um símbolo adotado pelos os cristãos reformados da França, conhecido como Huguenotes.

De acordo com fontes históricas, a Cruz Huguenote na sua forma atual foi criada por um ourives de Nimes chamado Maystre, três anos após a revogação do Edito de Nantes em 1685. Esta revogação acabava com a tolerância religiosa e liberdade de culto dos huguenotes, que havia sido concedida em 1598 com a assinatura do Edito. Com a revogação deste Edito, muitos huguenotes fugiram da perseguição em direção à Inglaterra, Prússia, Holanda e América do Norte, dando origem a muitas congregações reformadas.
 
Ainda hoje a Cruz Huguenote é utilizada pelas pessoas como um símbolo da fé reformada e testemunho da fé evangélica, como uma lembrança de seu chamado e das promessas de Deus concedidas a elas. Em 1938, a Igreja Reformada da França incorporou essa cruz de forma estilizada em seu logotipo oficial.
 
 
Significado
 
O símbolo central é a cruz - nossa única esperança -, representada de forma semelhante à cruz de Malta. A cruz expressa a morte propiciatória de Jesus e sua vitória sobre a morte e o pecado. Os braços da cruz também simbolizam os 4 Evangelhos. Cada braço se torna mais ampliado à medida se distancia do centro da cruz, simbolizando a transformação do crente (2 Co 3.18).
 
Os braços divididos da cruz trazem 8 pontos redondos na extremidade que representam as 8 Bem-aventuranças do Sermão do Monte (Mt 5.3-10), como marcas da vida do cristão e especialmente as perseguições que sofre por causa de sua fé. Outras fontes dizem que os pontos da cruz lembram os frutos do Espírito, conforme Gl 5.22: "Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.
 
Entre os braços da cruz está uma coroa de quatro flores-de-lis (lírios estilizados), revelando também uma forma de quatro corações nos espaços abertos entre a flor-de-lis e a cruz, representando a lealdade dos huguenotes à coroa francesa (autoridade constituída) e sobretudo à cruz de Cristo. Os corações são símbolos do sofrimento de Cristo e dos cristãos que o seguem, movidos por amor a Ele, bem como uma lembrança de seu mandamento de “amar uns aos outros”. (Jo 13.34). As 4 flores-de-lis com 3 pétalas cada, perfazem um total de 12 pétalas, número representativo dos apóstolos. A flor-de-lis também é uma representação da Santíssima Trindade e um símbolo religioso e político da França, desde que se tornou uma nação cristã. O lírio também é um símbolo da pureza, da ressurreição de Cristo e do cuidado de Deus (Mt 6.28). Os quatro corações também que simbolizam a unidade que temos em Jesus Cristo.

O ornamento na parte inferior da cruz era originalmente uma pérola, simbolizando uma lágrima que lembrava a perseguição. Por volta de 1688, foi substituída por uma pomba, símbolo do Espírito Santo, que "testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rm 8.16). Expressa também a Igreja que vive sob a Cruz. Em tempos de perseguição, a pomba foi substituída por uma pérola para simbolizar uma lágrima.
 
O que é huguenote?
 
Huguenote era o nome dado aos cristãos reformados franceses no século XVI. Foram estes cristãos reformados que vieram ao Brasil durante a ocupação francesa no Rio de Janeiro. Villegaignon escreveu à Igreja Reformada de Genebra solicitando o envio de pastores e colonos evangélicos que contribuíssem para a elevação do nível moral e espiritual da colônia. Foram enviados os pastores Pierre Richier e Guillaume Chartier, que chegaram ao Brasil no dia 7 de março de 1557, juntamente com outros huguenotes (reformados).

No dia 10 de março de 1557 foi realizado o primeiro culto evangélico na história do Brasil. Conforme relata o historiador Alderi Souza de Matos, o pastor Richier orou invocando a Deus. Em seguida foi cantado em uníssono, segundo o costume de Genebra, o Salmo 5: “Dá ouvidos, Senhor, às minhas palavras” do Saltério Huguenote. A versão em português (“À minha voz, ó Deus, atende”) tem música de Claude Goudimel (†1572) e metrificação do Rev. Manoel da Silveira Porto Filho. Em seguida, o pastor Richier pregou um sermão com base no Salmo 27:4: “Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo”. Após o culto, os huguenotes tiveram sua primeira refeição brasileira: farinha de mandioca, peixe moqueado e raízes assadas no borralho. Dormiram em redes, à maneira indígena.

A Santa Ceia conforme o rito reformado foi celebrada pela primeira vez no domingo de 21 de março de 1557. Na cidade do Rio de Janeiro há um monumento que recorda este momento em que pastores Pierre Richier e Guillaume Chartier celebraram a Ceia do Senhor pela primeira vez no Novo Mundo.